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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

O ANTIGO QUE PERMANECE NOVO: O INFERNO NA VIDA DO CRENTE


Por: Pr. Heládio Santos


No Evangelho de Marcos (9:49a), há uma expressão incomum: salgado com fogo. Dentro de um contexto cujo tema central é o inferno, lemos e meditamos nessa parte procurando obter a compreensão coerente, pois como alguém pode ser salgado com fogo?
            Na doutrinação cristã, ser salgado é compreender o valor do ensino, incorporá-lo através de uma vida santificada e transmiti-lo. Na verdade, é um conceito que abrange a conservação dos valores espirituais através de práticas morais constantes que devem passar de geração a geração. Essas virtudes comprovam a experiência de salvação, confirmando a novidade de vida alcançada. A conservação é necessária para preservação do cristão diante do mundo vil e da informação de que os bens espirituais são imutáveis, portanto, não estando sujeitos às mudanças culturais muito corriqueiras na contemporaneidade. A graça é o agente responsável por essa ação divina, funciona como o meio motivador/estimulador para nós vivermos a fé com dignidade. No entanto, existem outros elementos que promovem indiretamente determinação para obediência a Deus: a concepção do inferno para o bem de outros.
            O cristão sabe de sua liberdade da condenação vindoura. Nós estamos livres do terrível mal eterno. Contudo, muitas pessoas que estão ao nosso redor, aquelas que compartilham do nosso cotidiano, estão debaixo da escabrosidade condenatória, mas estão apáticas a sua realidade espiritual. Em vistas disto, o cristão, percebendo e discernindo a mal sobre ela, sentindo a condenação como se fosse dele, deverá se dispor com muito ânimo para viver uma vida moralmente correta a fim de ter reconhecimento ao recomendar a fé em Cristo para libertá-las de tão horrendo destino.
            Desta forma, ser salgado com fogo é ser estimulado pela percepção da condenação do inferno para com descrentes para vivermos uma vida santa. A vida devotada a Deus transmite e inspira fé no outro que está carente do dom celestial. O sentimento de piedade move o crente a tal procedimento, inclusive, fazendo de forma espontânea a renunciar muito daquilo que lhe faz bem para se ocupar com o bem do outro.

Reflexão publicada no Jornal Tocha da Verdade (Online), em 16 de novembro de 2014.

Fonte: https://jornaltochadaverdade.blogspot.com/2014/11/o-inferno-na-vida-do-crente.html


O ANTIGO QUE PERMANECE NOVO: COMO ALGUÉM CHEGA A CONVERSÃO?

Por: Pr. Glauco Barreira M. Filho

A Bíblia diz que a razão do homem caído está fora de eixo, por isso o homem não é tão inteligente para as coisas divinas como o é para coisas humanas.
“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.” (Romanos 1: 22)
“Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus.” (Romanos 3: 11)
“Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Cor. 2: 14)

        Em certo sentido, nem mesmo antes da queda, o homem alcançou o pleno conhecimento de Deus pela razão. Sempre foi necessária uma auto-revelação de Deus. No entanto, a razão humana era apta para reconhecer a revelação e acompanhar a sua lógica. Agora, o homem caído sempre está pondo em dúvida a revelação, quando não está deliberadamente contra ela. Isso se dá, principalmente, porque a carne oferece a mente argumentos. A vontade cativa do pecado, indisposta ao arrependimento, perverte a razão natural. O velho homem “se corrompe pelas concupiscências do engano” (Efésios 4: 22).

        A principal razão de as pessoas não aceitarem a verdade não é basicamente intelectual, mas é moral (II Tessalonicenses 2: 12). Apenas a desculpa é intelectual.

        Dentro dessas condições, o homem só pode vir a Cristo se for persuadido pelo Espírito Santo:

“E, quando ele (Espírito Santo) vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo” (João 16: 8)

        A persuasão do Espírito é mais moral e pessoal do que intelectual e geral.

        O crente deve pregar, argumentar e persuadir, mas deve estar convicto de que não é sua habilidade retórica que vai convencer o homem do pecado. É a unção do Espírito que faz penetrante o argumento. Na pregação, o que vale é “lógica em chamas” (Martin Lloyd-Jones). Se nós pensarmos na capacidade de nossa argumentação já perdemos a unção. Devemos depender do Espírito para convencer o pecador a vir à fé:

“Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade, que procede do Pai, testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio.” (João 15: 26, 27)

“Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição de fortalezas; destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo.” (I Cor. 10: 3- 5)

        O que precisamos não é ampliar os nossos conhecimentos filosóficos, nem desenvolver habilidades retóricas, mas, sim, buscar o poder do Espírito Santo, ser tocados pelo fogo pentecostal.

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra.”(Atos 1: 8)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O ANTIGO QUE PERMANECE NOVO: PROTESTOS POR SANTIFICAÇÃO


Por: Pr. Glauco Barreira M. Filho


A cada dia que passo, eu me alegro mais ao ler os sermões que o intrépido pastor presbiteriano escocês Robert M. McCheyne pregou no século XIX. No artigo de hoje, eu gostaria de traduzir uma parte do sermão ocorrido em um culto de comunhão:

        “Tendes o amor de Deus em vossa alma, o Espírito de Deus em vós outros? Como, pois, vos atrevereis a pisar o umbral sequer de um teatro ou de uma taberna? O que?! O Espírito de Deus em meio a extravagantes canções de um teatro, ou entre os tempestuosos jogos da taberna! Vocês podem conceber? Sintam vergonha dessa prática blasfema! Não, deixai, queridos amigos, deixai esses ídolos que hão de ser enjaulados com os demônios e demais bestas imundas. Vós outros não deveis cruzar seus umbrais nunca mais. E que direis dos jogos de dados, de naipes ou do baile? 

Só quero dizer isso: que, se os amais, é sinal de que nunca haveis experimentado as alegrias de ser uma nova criatura. Se sentis o amor de Deus e do Espírito em vós outros, não buscareis o prazer das alegrias pecaminosas, senão que arredareis de vós outros as ansiedades vãs dos naipes e o barulho insensato dos dados.... Que direi da forma de vestir? Para uma jovem crente, cheia de alegria e fé, um rapaz, para galanteá-la, lhe ofereceu um adorno para seu cabelo, adorno que figurava um ramo de flores. Ela não quis aceitar. O jovem insistiu para que aceitasse. Sem rodeios, ela recusou. ‘Por que não quereis?’ Ah! – disse ela – como posso levar coisas assim sobre minha cabeça, quando Cristo teve de ser coroado de espinhos? O gozo de estar com Cristo é tão maravilhoso que converte todos os demais prazeres em insípidos, áridos e sem vida.” 

        Oh! Quanto a igreja precisa ser santa!

EDIFICANDO A IGREJA: AS PRIORIDADES PRIMEIRO


"Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra." (Atos 1.8)

Jesus estabeleceu o modo como a Igreja deve agir como representante de Deus na terra. Somos o Corpo de Cristo, somos embaixadores de Cristo no mundo. Estamos aqui para tomar posse da terra em nome do Senhor Jesus, derrotando e destruindo o poder do inimigo.

Primeiro, o Senhor nos capacita. Ele disse: Recebereis poder. Ele sabia que sem o Espírito, sem o seu poder, nada podemos fazer neste mundo. Somente o Espírito pode convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Nós pregamos, mas quem faz a obra é Deus através do Espírito Santo. A nossa primeira prioridade na obra de Deus é sermos cheios do Espírito.

A segunda é ser testemunhas. A igreja está no mundo com o objetivo de transformar o mundo, de salvar os perdidos. Para isso Jesus veio ao mundo, para isso Ele treinou os discípulos, para isso Ele estabeleceu a Igreja e a enviou. A Igreja deve glorificar a Deus. E a maneira de fazê-lo é realizando a Sua obra. Não apenas glorificá-lo com os lábios tendo o coração longe. Mas fazer como Jesus: "Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer."

Irmãos, coloquemos as nossas prioridades como igreja, e como indivíduos na ordem certa. Sejamos cheios do Espírito e proclamemos o Evangelho de Jesus.

Pr. João Leão Xavier,  Terceira Igreja Batista Belo Horizonte - MG, extraído do Jornal O Batista Nacional.

CRISTÃOS FAMOSOS DISSERAM ...


SPURGEON

“Pois se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai Celestial o Espírito Santo aqueles que Lho pedirem! ” (Lucas 11.13).  Vede que há uma promessa distinta para os filhos de Deus, se tão somente pedirem, pois o Pai Celestial está solícito para dar esse poder tanto quanto um pai terreno deseja satisfazer os seus filhos. E esta promessa é feita excessivamente forte, pela urgência que tem, pois, a expressão “quanto mais dará o Pai Celestial”, é enfática e mostra o grau de força que contém. O Senhor Jesus torna, pela comparação de um pai comum, a alegoria mais compreensiva. Deus o Pai nos dará o Espírito Santo quando Lho pedirmos, porque Se empenhou em fazê-lo, mediante um penhor comum: PEDIR. Para isto usou um símile que Lhe desonraria o Nome, se o não cumprisse. Colocaria as Suas palavras em termos grosseiros, se não desse REALMENTE o Seu Santo Espírito a quantos o pedissem! ” 

(Twelve Sermons on the Holy Spirit, pág. 50).

domingo, 24 de fevereiro de 2019

MENSAGENS DEVOCIONAIS: O PREÇO DO PODER

Por: Dr. Lee Scarborough

E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”. Lucas 24.49.

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas...” Atos 1.8ª.

O poder do Espírito é de necessidade absoluta em ganhar homens para Cristo em alta escala. “Não por força nem violência, mas pelo Espírito, diz o Senhor dos Exércitos”. 

Esta lei é escrita em letras maiúscula em toda história do evangelismo. Não há substituição para este poder. Uma personalidade dinâmica, atraente e gentil tem muita força em influenciar homens; porém estas qualidades não substituem o poder do Espírito. Eloquência e melodia de voz em cantar ou falar podem arrebatar temporariamente: porém é requerido o poder de Deus para tirar os homens dos seus pecados e regenerá-los. Profundos conhecimentos e cultura erudita em si mesmo tem grande valor para atraírem intelectualmente a Cristo e construírem Seu Reino glorioso na terra: porém nada disto toma o lugar do poder divino.

 “O Espírito de Deus tem afinidade especial com uma mente treinada”. Gentileza e amabilidade muito se avantajam na tarefa celeste de trazer homens ao conhecimento completo da vida em Cristo; mas não são suficientes em si mesmas. Todas estas coisas têm que ser vitalizadas e tornadas poderosas pela dinâmica Terceira Pessoa da Trindade.

Há, porém, certas condições espirituais necessárias para sermos revestidos deste poder. Elas constituem o preço que a alma paga por esta unção divina.

1 Apreensão espiritual, compreensão intelectual e apropriação psíquica da vida e significação da palavra de Deus.
2 Temos de ser o mais possível, completos e perfeitos em nossa vida de obediência à vontade inteira de Deus, se formos cheios do Espírito.
3 Uma entronização íntima e psíquica de Jesus Cristo como nosso Senhor e Mestre, é condição vital para a vinda de poder sobre nós, no empreendimento de grandes serviços (João 7.37-39)
4 É nisto que se manifesta a utilidade celestial de uma compaixão espiritual do poder de Deus para conquistar almas, jamais podemos menosprezar a grande necessidade de orações e súplicas persistentes e fervorosas para a aquisição de poder (Lucas 11.13). Devemos não somente receber o Espírito Santo, mas ainda orar pelo seu revestimento. (Lucas 24.49; Atos 1.4 e Atos 2.1 e 42).

A oração abre nossos corações, faz-nos submissos à vontade de Deus e condiciona as almas de tal modo, que o Espírito pode enchê-las com Seu poder. A ansiedade de Deus (Lucas 11.13) para dar-nos o Espírito não afasta a necessidade de orar por este poder. Deus tem prometido definitivamente um Pentecoste de poder aos discípulos de Cristo. Mas esta promessa não neutraliza a necessidade dos dez dias de uma espera (=expectativa) espiritual antes do Pentecostes. Tinham de orar para ver o cumprimento da promessa do Pai. E é assim.

Pentecoste não vem para os crentes que não suplicam.

6 -  É necessário estarmos dispostos a tomar parte nas aflições e sacrifícios do Evangelho.

FAZ DIFERENÇA

Quando possuímos esta unção espiritual, logo se faz diferença em tudo ao redor. Ela lubrifica todo o mecanismo interior da vida. Remove a atenção, a preocupação, a irritação e o medo. Aumenta dez vezes mais a eficiência espiritual, nossa oportunidade e o resultado de nosso serviço.
Multiplica o gozo de trabalhar. A pregação, o ensino, o testemunho, todas as artes celestes são mais suaves e fáceis. Multidões esperançosas encherão os bancos vazios, os perdidos buscarão o nosso ministério e mil oportunidade de servir abrir-se-ão. Paguemos, portanto, o preço do céu por este grande poder.

O MODO DE OBTER

“Enchei-vos do Espírito! ” É mandamento do Salvador ressuscitado, cujo Pai está mais disposto a dar-nos o Espírito do que nós somos dispostos a dar boas dádivas aos nossos filhos.
É uma oração para ser feita. (Lucas 11.13; Atos 4:31)
É um mandamento para ser obedecido. (João 16.7 e Atos 1.8)
É uma vida para ser ofertada. (Salmo 110.3)
É um Cristo para ser entronizado, (João 7.39)

Em síntese, orar, obedecer, apropriar, oferecer-se, entronizar Cristo e avançar para conquistar em Seu poder é ter certeza de que o Pentecostes seguirá em sua retaguarda.
(Coleção Vida Vitoriosa.)
Publicada no “O JORNAL BATISTA” fundado em janeiro de 1901, extraído da edição N. 14 - De 6 de abril de 1950.

A VISÃO CRISTÃ SOBRE O PROBLEMA DO MAL


Por: Dr. João Batista Costa Gonçalves

É propósito do presente artigo analisar o problema do mal sob uma perspectiva cristã, considerando as teorias mais destacadas que se erguem contra este tipo de abordagem.

A questão que sempre se levanta como desafio ao Cristianismo, quando se trata sobre o problema do mal, repousa na admissão da existência de um Deus bom e onipotente. Noutros termos, parece difícil, como argumentam o filósofo grego Epicuro e, mais recentemente, o filósofo empiricista David Hume, conciliar o seguinte dilema: se o mal existe contrariamente à bondade de Deus, então ele não seria onipotente. Se, por outro lado, Deus é um ser onipotente e bom, por que permite a existência do mal?

A partir do raciocínio supracitado, três indagações podem ser suscitadas: 1) se o mal existe, seria ele obra de deus? 2) a existência do mal descaracteriza deus como um Ser totalmente bom e onipotente? 3) com que propósito Deus permitiria a existência do mal? Doravante, tentamos trazer luzes a estas três questões.

Quanto à primeira indagação que diz respeito à origem do mal, poderíamos pensar com Santo Agostinho e afirmar que Deus, sendo o Sumo Bem, não poderia ter criado o mal? Segundo o bispo de Hipona, o mal seria concebido como a privação ou desvio do bem. Assim como a escuridão não é algo positivo, mas simples ausência da luz, o mal é a ausência do bem. O mal não teria existência autônoma, como afirma a filosofia maniqueísta ao dizer que o mal seria a matéria. Ao contrário, o mal seria um parasitário sobre o bem, identificado como um não-ser.

A doutrina agostiniana sobre a origem do mal, por outro lado, não nos conduz a crer, como se poderia supor, que o mal seria algo irreal e, por isso mesmo, negligenciável. Pelo contrário, o objetivo da doutrina é acentuar ainda mais a questão da procedência do mal.

Passemos à segunda indagação, ou seja, saber se a presença do mal constitui uma barreira insuperável para a crença em um Deus bom e onipotente. Antes, porém, cumpre estabelecer a diferença, conforme legada por Leibniz, entre o mal físico, que seria o sofrimento e a dor, tanto física como mental, e o mal moral, que seria a perversidade humana, ou na linguagem cristã, o pecado.

A par desses conceitos, podemos iniciar a discussão sobre a segunda questão, considerando o mal moral. A tradição cristã sobre encarou o mal moral em relação à liberdade e a responsabilidade do homem. Deus teria criado o homem não como um autômato, mas como um ser apto para agir correta ou erroneamente. O mal, por assim dizer, seria o uso errado que o ser humano faz do seu livre-arbítrio.

Em contraposição, um opositor argumentaria que Deus poderia ter escolhido criar homens livres e sempre inclinados a agir corretamente. Ocorre que esses seres constituem possibilidade lógica irreal, pois Deus concebeu o homem como criatura possuidora de liberdade moral, embora fosse capaz de criar seres de toda e qualquer espécie. Se Deus projetasse nas pessoas o traço de liberdade e capacidade para sempre agir de forma infalível, estas seriam qualquer outra coisa, menos pessoas. Ora, nada que resulte em contradição aos planos de Deus pode ser incluído na sua onipotência.

A pergunta imediata que poderia ser formulada era: por que Deus não criou esses seres, ao invés de pessoas? A fé bíblica responde afirmando que Deus criou o homem com o propósito de ter com ele uma relação pessoal e genuína e espontânea, o que não seria possível em outros termos.

E quanto ao mal físico?  Pode-ser afirmar que ele guarda estreitos laços com o mal moral, em razão de que grande parte do sofrimento que aflige a humanidade é fruto do próprio pecado do homem. E o que pode ser dito do sofrimento causado por forças externas, independentes da vontade humana? É lícito afirmar que o Cristianismo nunca declarou que Deus, depois da queda do homem, tinha o objetivo de criar o mundo para ser um palco paradisíaco onde a raça humana pudesse usufruir de todos os prazeres e estar aliviada de todas as dores. A esperança do cristão é que uma nova ordem de coisas seja instituída, na qual não haverá mais sofrimento e dor.

É bom que se diga, por outro lado, que, embora o mal esteja aqui e seja real, ele não foge do controle de Deus. O mal é temporário, ele será destruído. E Deus não poderia acabar de uma vez por todas com o mal que está no mundo? A resposta é afirmativa. Deus, porém, não resolve destruir o mal no presente instante porque fazê-lo implicaria a destruição da própria humanidade, já que o mal lhe é inerente. O propósito divino é da oportunidade  a todos os homens de escolher o bem, o que só se dará, nas palavras do apóstolo Paulo, pela aceitação da justiça de Deus através da fé em Jesus Cristo.

Partimos finalmente para a última  indagação. Qual a finalidade da existência do mal? A forma cristã de pensar sobre esta questão é dizer que em relação aos cristãos, Deus permite o mal como forma de conduzi-los no caminho da santidade. Em melhores termos, Deus permite que cristãos passem por sofrimento e dor porque, para o desenvolvimento das virtudes espirituais, como o amor e a paciência, é necessário vivenciar experiências adversas. Em relação aos não-cristãos, o objetivo do sofrimento é ser um meio, como declara C. S. Lewis, de Deus despertar o homem para a existência de um Deus bondoso e misericordioso. 

Extraído do Jornal Trombeta de Sião, Ano 01 - Número 11. - Outubro de 1998